Portuguese Design Manifesto

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I am writing this post as I feel the need to share this message with the wider-world, therefore in English. It also comes at a moment where I am trying to organize in Lisbon the first Designers Accord Town Hall.

On the 7th of October 2012 was published in Portuguese art magazine Arte Capital a Manifesto of Design, written by design critic José Bártolo and signed by a number of designers, educators and critics, taking a remarkable stand for the profession of the designer within the current social-economic panorama of Portugal.

In a similar spirit of a First Things First manifesto 1967 & 2000, but with the advantage of social media as a tool to drive change, this manifesto turned viral on a Facebook page within 24 hours had 700 'likes', or 700 signatures.

At a particular moment where Portuguese society feels a lack of autonomy as a nation, is pushed to unbearable external demands, in a context where the country is obliged to the counter-demands of a bail-out, a context where the fiscal burden is beyond 48% GDP, unemployment at 16%, a complete disbelief in politics, an overwhelming pessimism and lack of belief in a prosper future.  These designers  express their responsibility for the awareness, mediation and social mobilization, in the positive construction of the present and looking for alternative solutions for the future.

"Manifesto para o Design Português Colectivo"  07 Outubro 2012

1. Nós, abaixo assinados, somos designers, professores de design e críticos de design, que iniciaram a profissão depois do 25 de abril de 1974. Nós, que sempre trabalhámos num contexto politicamente democrático, culturalmente plural e economicamente liberal, defendemos que os valores da democracia participativa devem ser, de forma permanente e ativa, enunciados, renovados e praticados; que o pluralismo cultural nos obriga a respeitar a diferença e afirmar identidades; que o liberalismo económico pode e deve ser criticado e mediado de forma a ser sempre um meio e nunca um fim da cidadania.

2. Num momento em que a nossa autonomia enquanto estado-nação é atacada por uma insuportável ingerência externa, num contexto em que o país está preso a orientações de credores externos, na mesma altura em que a carga fiscal ultrapassa os 48% do PIB, em que o desemprego é de 16%, em que o descrédito nos políticos é total, em que o desalento e o pessimismo nos dominam, nós assumimos a nossa quota parte de responsabilidade na sensibilização, mediação e mobilização sociais; na construção crítica do presente; na procura de alternativas futuras.

3. Nós não nos revemos, identificamos ou conformamos com a atual situação cultural, social, política e económica do país; defendemos uma maior e mais efetiva responsabilização coletiva − dos governantes e dos governados – e defendemos a procura de formas alternativas de fazer política, de fazer cultura, de fazer negócios e de fazer design. O design é um processo ativo de transformação contextual; nós defendemos a consciencialização dos designers para uma compreensão do projeto enquanto realização de um ação socialmente eficaz.

4. Nós rejeitamos a ditadura do financeiro e defendemos a defesa de valores fundamentais, de respeito pelo trabalho, de equidade, de pluralismo, de participação, de liberdade. Nós defendemos a importância do papel do design na comunicação e construção de alternativas. Acreditamos que a democracia é o governo através da discussão. Defendemos o envolvimento dos designers no assegurar a amplitude e a qualidade da discussão, tornando-a o mais quotidiana e pragmática possível.

5. Nós defendemos que o design deve ter uma agenda que resulte da discussão dos valores, da discussão acerca da utilidade e da eficácia da disciplina, conseguida de forma alargada e em mais do que um fórum: no movimento associativo; nas escolas; nas empresas de design; nos meios de comunicação social.

6. Nós defendemos que essa agenda seja capaz de posicionar o design português, de forma clara, objetiva e pragmática, perante questões sociais, políticas, culturais, económicas, tecnológicas e éticas que afetam o país e os cidadãos. Nós comprometemo-nos a criar um grupo de trabalho, aberto à participação de todos, capaz de desenvolver ações que garantam a prossecução das intenções do presente manifesto.

7. Nós defendemos que o design e os designers portugueses sejam valorizados, promovidos e defendidos; nós apelamos às associações e às escolas para assumirem a sua responsabilidade na defesa intransigente de uma proposta crítica e exigente para o design e a sua prática profissional. Nós apelamos a uma maior politização da prática do design, a uma maior interferência dos designers na programação cultural e social, a uma maior consciencialização dos designers do seu papel produtivo.

8. Nós acreditamos no design como uma forma de produção social, e não como ato isolado de criatividade. Nós defendemos uma prática do design centrada na prestação de serviços do designer a um cliente, envolvendo respeito mútuo, empenho na procura da melhor solução, de forma a que cada projeto contribua para a valorização da profissão e para a qualificação dos valores da cidade e da cidadania. Mas, também, defendemos a procura de práticas alternativas, autopropostas e autogeridas, sejam ou não pro bono. Defendemos a valorização dos designers, a sua liberdade autoral e condenamos a sua menorização e exploração; valorizamos a formação em design, a diversidade de formas, processos e manifestações de projeto; combatemos os estágios não remunerados, a precariedade profissional e quaisquer formas de descriminação que não se fundamentem em critérios qualitativos transparentes.

9. Vivemos tempos de urgência que exigem a nossa participação ativa. O presente manifesto comunica um conjunto de intenções, visa tornar público um compromisso para a construção de uma comunidade operativa constituída por cidadãos-designers que através da presente tomada de posição dão um passo para a construção de um grupo de trabalho com a coesão ou as ramificações necessárias a uma maior eficácia da sua ação.

10. Nós, abaixo assinados, lutaremos para que o design português possa gerar narrativas fortes, que de forma pragmática e ideologicamente fundamentada, possam voltar a enunciar, de modo pertinente e efetivo, palavras como utopia, liberdade, igualdade ou revolução.

Redator: José Bártolo

Subscritores: Alejandra Jaña; Ana Rainha; António Modesto; Aurelindo Jaime Ceia; Carlos Guerreiro; Eduardo Aires; Emanuel Barbosa; Joana Bertholo; João Alves Marrucho; João Bicker; João Martino; José Bártolo; José Carlos Mendes; Luís Alvoeiro; Luísa Barreto; Marco Balesteros; Marco Reixa; Mário Moura; Nuno Coelho; Pedro Marques; Sofia Gonçalves; Vera Tavares; Valdemar Lamego; Victor M Almeida.